Akmal Marhali

Comentarista Indonésio Acusa Copa da ASEAN de Ser Manipulada

Comentarista Indonésio Acusa Copa da ASEAN de Ser Manipulada

O título inédito da Indonésia na Copa da ASEAN da FIFA de 2026 virou motivo de controvérsia dentro do próprio país. O comentarista Akmal Marhali afirmou, em um podcast que circulou amplamente nas redes sociais, que a competição teria sido organizada para favorecer a seleção anfitriã, levantando suspeitas sobre o sorteio dos grupos e a condução arbitral ao longo do torneio.

A tese do comentarista

Segundo Marhali, a formatação do Grupo A já indicava um caminho facilitado para a Indonésia. "A Copa da ASEAN da FIFA de 2026 foi manipulada para que a Indonésia vencesse. Eles foram colocados em um grupo fácil, sem Vietnã ou Tailândia. Todas as seleções do Grupo A tinham ranking inferior ao da Indonésia. Certo?", disse o especialista. Na fase de grupos, a seleção comandada por John Herdman enfrentou Malásia, Bangladesh e Singapura, adversários historicamente abaixo da Indonésia no ranking regional. O caminho terminou com o título conquistado nos pênaltis sobre a Tailândia, na decisão.

O episódio contra Bangladesh

O jogo que mais alimentou as suspeitas foi justamente o confronto decisivo contra Bangladesh, que definiu a vaga indonésia na final. A arbitragem havia sinalizado inicialmente dois minutos de acréscimo. Mas, após Bangladesh marcar e reduzir a diferença para 2 a 7, o árbitro voltou a campo e indicou sete minutos adicionais. Nesse período extra, a Indonésia balançou as redes mais duas vezes, fechando a partida em 9 a 2 e carimbando a classificação da Garuda, apelido da seleção local. Na outra partida da rodada, disputada simultaneamente, a Malásia goleou Singapura por 6 a 0.

Reação da Malásia e questionamento sobre o mercado

A Federação de Futebol da Malásia reagiu com forte insatisfação à condução do tempo de acréscimo no duelo entre Indonésia e Bangladesh, classificando a decisão como uma manipulação do cronômetro. A entidade formalizou uma queixa à FIFA, cobrando explicações sobre os critérios utilizados pela arbitragem naquela noite. O caso ainda não teve desfecho público divulgado pelo órgão internacional.

Marhali foi além e associou a organização do torneio ao peso comercial do futebol indonésio na região. "A Indonésia precisa se classificar para a final da Copa da ASEAN da FIFA de 2026. Se for eliminada, quem vai querer assistir à partida final?", questionou, sugerindo que o apelo de audiência teria pesado nas decisões ao longo da competição.

Um título histórico sob suspeita

Independentemente da polêmica, o troféu tem peso simbólico para o futebol indonésio. A conquista encerrou um jejum de 35 anos sem títulos relevantes para a seleção, cuja última taça havia sido nos Jogos do Sudeste Asiático de 1991. É nesse contexto que as acusações de Marhali ganham ainda mais repercussão: colocam em xeque a legitimidade de um momento aguardado havia décadas pela torcida local, ao mesmo tempo em que reacendem o debate sobre governança e transparência arbitral nas competições organizadas sob o guarda-chuva da FIFA na Ásia-Pacífico.